segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Saudade.

Me encontro na sala de estar. Esta tem decoração rústica, com cadeiras de balanço de madeira verdadeira, uma pintura com foto da família. Vejo ele quando pequeno segurando a mão do avô, no colo do pai. Aquele, certamente, já morto. Mas percebe-se pela decoração e pelas fotografias da casa que a sua alma ainda permanesce no recinto. Olho ao redor, as cadeiras acolchoadas fazem uma espécie de círculo entre uma mesinha redonda, com as duas pernas em forma de xis, uma bolinha de metal no centro e um vidro fosco em cima. Mais adiante, próximo a escada, esconde-se um relicário. Fiquei com vontade de sair de onde estava e abri-lo, só para saber o que tinha dentro. Mas não o fiz. Algumas fotografias em pequenos e grandes porta-retratos apoiadas numa cômoda, de quando seus pais eram jovens, de ele quando pequeno e na faculdade, se formando. Senti uma nostálgica vontade de voltar no tempo.
Revirando um pouco o pescoço, forçando para enchergar o que havia naquela linda e enorme casa, avistei um escritório. As duas portas, rústicas, de cor azul, faziam esconder uma sala com sofás, uma mesa enorme e lotada de papéis, uma cadeira grande e confortável assegurando-lhe um tom de segurança.
Porque isso tudo me faz voar? - pergunto-me, silenciosamente.
Volto ao meu lugar, observo a pintura que está em minha frente. Porque ele está sentado no colo do pai e apertando a mão do avô? - penso. Talvez seja porque seu pai não fosse tão presente, e seu avô fosse mais simpático e dedicado. Talvez ele tivesse separado-se de sua mãe, então ele acabou tendo que ficar com o avô um tempo, já que esta é morta - tento advinhar.

Olho para cima. Posso ver-lhe trocando de roupa, passando de vultos em vultos na porta entre-aberta do quarto. Estou anciosa. Desce logo! - repito, baixinho.
Volto a olhar para o quadro. No quadro encontra-se toda a família. Até os empregados. Mas o que me chama mais atenção é um jarrinho de flores que estava ali. De certo, eles tiraram a foto no mesmo local onde agora estão as cadeiras em volta da mesa. Porque aquele jarrinho não está mais ali? Com tulipas, tão lindas... Porque será que tiraram?

Ele vem vindo. Veste uma blusa preta com uma calça jeans velha e um all star riscado. Do jeito que eu gosto. Ainda descubro o mistério de homens de calça jeans e all star riscado me chamar tanta atenção.
Ele desce as escadas, se aproxima e tira minha atenção do quadro.
- Está pronta? - pergunta, colocando sua mão em meu ombro.
- Sim. Vamos?
- Vamos.
- Ei, espera uma coisa. Porque não aqui não tem mais esse jarrinho que está no quadro? Dá pra perceber que essa fotografia foi tirada nessa sala... - disse-lhe.
- Hmm... É que esse jarrinho era de mamãe - ele falou, num tom meio cabisbaixo - tiraram daqui pois trazia lembranças dela. Antes tiraram só as flores, trocaram-nas por girassóis. Mas o verão acabou, chegou esse inverno chato e agora tiraram.
- Ah.
Paramos um tempo. Ficamos em silêncio por alguns segundos até que ele interrompeu:
- Sim mas, vamos não é? Acho que se demorarmos mais, atrazaremos.
- Sim, ok. Vamos!

Saímos daquela casa. E a minha saudade ficou ali. Um pouco de mim ficou ali. Como se um puco de mim pertencesse aquele lugar. Será? - me peguei perguntando outrora.

2 comentários:

Eric Gil disse...

É a escritooooora Figueiredo :D
kkkk
O problema que ficou curta a história, jéssica :~
mas tá booa
;***

Leo disse...

heey
nossa, voce escreve muito bem, J�ssica!
o blog j� est� nos favoritos!
:D
realmente, pena que a hist�ria � curta...
o/

:**