domingo, 17 de julho de 2016

Primeiro, o amor. Depois, o desencanto.



"Então, quando não havíamos avançado sequer dois quilômetros, vimos dois carneiros com chifres enormes sobre uma colina, descendo apressadamente por uma crista de cascalho. Mais uma vez paramos o carro e saltamos. Muito embora estivesse terrivelmente frio no alto das montanhas, ficamos observando aquelas duas criaturas até que elas também desaparecessem dentro do bosque.
Seguimos adiante e ficamos ambos quietos, digerindo a aparição desses animais em nossas vidas, assim como o seu significado. O que é um cervo? O que é um carneiro com grandes chifres? Por que algumas criaturas nos atraem e outras não? O que são criaturas?
Pensei nas minhas próprias preferências. Gosto dos cães porque eles amam sempre a mesma pessoa. Sua mãe gosta dos gatos porque eles sabem o que querem. Acho que, se os gatos tivessem o dobro do tamanho que têm, provavelmente seriam proibidos. Porém, se os cães tivessem até mesmo três vezes o tamanho que têm, ainda assim seriam bons amigos. Pense nisso".

Trecho do livro "Primeiro o amor, depois o desencanto" de Douglas Coupland. Uma obra literária que sempre esteve presente na minha vida. Vira e mexe eu leio trechos desse livro, alguma coisa sempre me remete a ele.
 
 
 
 
 

domingo, 6 de dezembro de 2015

Falta Tempo


Por que parei de escrever contos literários? Por que doei minhas habilidades ao mercado, caindo nos padrões e formatos da indústria, usando minha criatividade para assuntos comerciais? Por que não consigo voltar a escrever coisas bonitas e inspiradoras como fazia antes?

Falta tempo. Falta esforço cognitivo pra pensar em algo bonito. O mundo não é mais um arco-íris. Ainda que aconteçam coisas legais nele. O mundo que eu imaginava antes não existe mais, tornou-se cinza, meio bege e ganhou outras prioridades. Deixei até de colocar vírgula antes do "e" na frase, porque aprendi isso numa das poucas redações de jornal que passei.

Agora, a escrita virou ferramenta de trabalho, virou exercício diário. Virou um trabalho mecânico. Cansa escrever, principalmente sobre algo que você não tem interesse. Principalmente quando é o seu ganha-pão, e você precisa fazê-lo de alguma maneira, pois é a única habilidade que você tem. E você precisa agradar, e ser pelo menos "boa", pois existem milhares de outras pessoas que também sabem escrever. Escrever é "fácil", ainda mais quando há computadores, tablets e celulares que ajudam a compor as ideias com mais rapidez que lápis e papel.

Either way, ainda me sinto feliz de voltar aqui eventualmente e ver como eu evoluí ao longo do tempo nos termos de escrita. Tanto nas descrições literárias de situações amorosas, quanto nas análises pessoais. Um texto meu, "o que é Deus pra você?", escrevi em 2008 - quando tinha 17 anos de idade. Dezessete! 

Nessa época, o blog era só um lugar pra colocar pra fora qualquer pensamento que vinha na minha cabeça. E pra imitar os autores que eu lia incessantemente. Hoje, até a leitura mudou - deixou de ser literária e romântica, pra se tornar científica, analítica, ideológica, contemporânea, acadêmica.

"Você escreve maravilhosamente bem. Não deixe isso morrer dentro de você". Recebi esse comentário em 2012 e toda vez que venho aqui, fico pensando se estou deixando a escrita morrer dentro de mim, pouco a pouco, com o passar dos anos. Por que agora virou trabalho, deixou de ser prazer. E quando se tem trabalho, falta tempo. Você chega em casa cansada. Não quer fazer nada, a não ser assistir algo no computador e dormir.

Saudades de ter tempo pra pensar em coisas bonitas e escrever sobre elas. Espero que minha escrita se aperfeiçoe com o tempo, mesmo não sendo mais tão literária. Tentar sempre melhorar, é o objetivo.

Como sempre, muitas saudades desse lugar.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O sonho dentro do sonho


Chovia forte lá fora. No emaranhado de lençóis e endredons, ela dormia. Sua respiração era profunda, sonora. Os cabelos encaracolados espalhados pelo travesseiro formavam a imagem de uma estrela com incontáveis pernas. Era manhã, dava pra sentir o sol tentando passar pelas pesadas nuvens de chuva. No quarto, a atmosfera deixava até os mais agitados com sono. Respirando profundamente, ela sonhava com deuses antigos que deixaram de existir pois ninguém acreditava mais neles.

Eles vinham visitá-la num salão grande e vazio, rodeado por estátuas, e sussurravam suas mensagens pra ela. Ela se sentia pequena e muito amada. Os deuses que deixaram de existir, deitaram ela num berço pequeno, mas muito aconchegante. E começaram a sussurrar, juntos, uma antiga cantiga. "Durma, menina, durma. O sol está à caminho, mas não irá te despertar. Sonha, menina, sonha. A noite está sumindo e o dia está pra começar". Aninhou-se nos lençóis e começou a sonhar.

#The100DayProject

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Moinho na cabeça

Porque há essa necessidade de colocar os pensamentos em ordem. De fazer algo da vida. De escrever, de ler, de assistir filmes. De escrever sobre os filmes que assisto. E as séries? São tantas, que perdi a conta. E haja vontade de fazer, produzir, compartilhar ideias, projetos. De ser independente, de ter meu próprio negócio, de fazer o que gosto. Porque há essa necessidade, que cresce na minha mente mas (quase) nunca chega ao papel. É como um enrolado de pensamentos, uma mistura de ideias, um moinho de frases, textos, parágrafos, palavras. Muitos se perdem, ficam nos entremeados do inconsciente, perdidos entre as memórias mais doces e as lembranças irrecuperáveis. O que eu estava pensando mesmo? Ah, em começar um blog novo. Em trabalhar por conta própria. Em abrir uma empresa nova. Mas a gente sempre quer aquilo que nos pertence. E precisa colocar essa bagunça da cabeça em ordem. E porquê não, fazer o que você mais gosta?

Es
cre
ver.