quinta-feira, 17 de abril de 2008

Cinco Segundos

A cortina abriu-se lentamente, sendo puxada por uma pessoa pequenina e de cara colorida. O seu rosto estava pintado com um sorriso vermelho e os olhos pintados de preto, ressaltavam ainda mais o seu azulado brilhante. Fez sua reverência, anunciou sua introdução e o espetáculo começou.

A platéia batia palmas calorosa quando dois homens - um gordo espalhafatoso e de fala grossa e um magrinho esperto de fala fina - entraram e começaram o número no palco. O pequeno palco ficava imenso ao redor de tantas risadas. O gordo sentou numa gangorra posta no canto do palco, exigindo que o magrinho fosse até lá tentar jogá-lo para o céu. Quando o magrinho aproximou-se e sentou no banco final da gangorra, nada aconteceu. Todos ficaram esperando que algo realmente surpreendente acontecesse, e então o silêncio reinou. Os dois olharam um para o outro com um certo medo, mas então o gordo logo se levantou e esbravejou algumas palavras que foram, evidentemente, abafadas pelas risadas da platéia ao ver o magro estabacar-se no chão.

O espetáculo, então, prosseguiu de mão cheia. A bailarina e a trapezista entraram na mesma hora, uma de cada lado. As pessoas cada vez mais ficavam fascinadas com o que as duas eram capazes de fazer. Alguns até pensavam que elas tinham o poder de voar, tamanha eram suas habilidades. A bailarina dançava alegremente pelo palco, enquanto a trapezista esbanjava seu poder de pular de um trapézio para o outro. Em um determinado momento, as duas estavam enrroladas no pano de seda, situado no meio do palco, agradecendo aos aplausos.

Então, o número principal chegou. Um palhacinho que parecia estar triste por ser o último da lista de apresentações. Ele entrou tímido e quieto, falando baixinho, pra poucos ouvirem. Uma música bonita rolava solta atrás da sua cena, também baixinha, parecida com ele.
Sua voz foi aumentando e então todos perceberam que ele estava recitando um poema lindo, mágico.
Então, o último palhaço do espetáculo tirou uma flautinha de seu bolso traseiro. E, seguindo o ritmo da música que estava atrás, fazendo seu pano-de-fundo, ele tocou-a. Uma magia encantava seus olhos e expressava uma envolvente felicidade.
Ele sentou-se no proscenio, ainda tocando a flautinha. Mesmo de olhos fechados, ele conseguia sentir que toda a platéia estava integrada numa só, todos sendo levados pela mesma magia que o palhaço estava passando sobre aquela flauta.

O gordo palhaço colocou sua cabeça para fora das cochias, mostrando seu grande e vermelho rosto pintado. A bailarina, do outro lado do palco, deu uma olhadela de leve e entrou na cena, graciosa. A trapezista veio logo atrás, dando camalhotas e dando saltinhos graciosos, acompanhando o som que saía de trás e misturava-se com a flautinha da frente. O magro palhaço empurrou o gordão, que, imitando cair mas também dando camalhotas pelo palco, entrou em cena e misturou-se as outras duas. Os quatro começaram a dançar, fazendo uma roda, rindo e rindo à toa. Pareciam ser de um mundo mágico, aquilo parecia não existir no mundo real. Tudo exalava um tipo de felicidade incrível, uma áurea magnífica.
O palhacinho que estava sentado no proscenio levantou-se lentamente, caminhando com passos articulados, ainda tocando sua flautinha doce. O seu rosto demonstrava serenidade e alegria por detrás da pintura. Tudo girava ao seu redor, apesar de não estar junto dos outros.

A sua flautinha foi parando, a música de trás baixando. Os quatro integrantes da cena não estavam mais em roda, mas sim dispersos no palco, contemplando uns aos outros. Todos exalavam sentimentos individuais, e estes pareciam estar misturados e fundindos num lugar só - o teatro.
A música ficou mais baixa e os cinco artistas foram parando, lentos. O palhaço que estava em frente a todos soltou sua flauta e, por fim, disse:
- Enquanto mundos que tentam ser ideais para as pessoas estão aí, nos sufocando com toda sua fumaça e ausência, há ainda um lugar para se refugiar. O teatro é como uma casa qual todos são muito bem recebidos e não querem sair de lá nunca mais. O amor, a mágica e a felicidade perdidas, ainda podem ser vistas em lugares secretos. Um desses lugares é aqui. Sejam bem-vindos.

10 comentários:

.Intense. disse...

Eu não gosto de circo, nunca gostei, nem de nada que tenha em circo, odeio palhaços.

=/

Depois dos acontecimentos que sucederam a minha ultima visita a um circo, piorou. Nem se o circo for no teatro, me alegra. E olha que eu já fui do mundo do teatro - mágica delicia.

E,fica tranquila, que aquilo foi só um escape. Eu não vou voltar a roer unhas.

;)

Solin disse...

Jéssica, eu vi o DVD de Amélie Poulain lá nas Americanas (Tambiá) por 12,99.

Só pra avisar =D

Jessica Lara disse...

Eu tbm não era muito afim de circo, sempre tive dó dos animais que viajavam pra lá e pra cá...
Mais quando eu vi o grupo "O teatro mágico" eu mudei de idéia... eles trouxeram o circo pros shows e eu meio que comecei a estender e "magia do circo", que é exatamente essa que você descreveu ;D

D. Vespa disse...

Eu juro que no momento que li seu post e vim para responder ia escrever "...e claro, os anões de circo, não esqueça dos pobres anõezinhos". Coincidentemente (e seguindo em alta com meu campo de baixa probabilidade) você não os esqueceu. :p

lydia6514 disse...

NoOOsa menina!!! tb sou de Jampa e tb soude libra! dicicil encontrar alguem assim, ateh tive um susto! XD

Samuel Gois disse...

morro de medo de palha�os...

mas deu ate vontade de ir em algum teatro..tentarei aproveitar essa fernart, se o tempo ajudar

Lile disse...

Oi!
Seu post me lembrou de anos passados, em que eu era fã de circos. Passou, e eu passei a gostar mais de teatro.
O pastelão me incomoda. E muito.
Sei lá por quê... Taí uma coisa pra pensar...
Bjo

Jéssica Feller disse...

o quão interessante é: EU sou Jéssica e Libriana.. você IDEM!
hauiahuiaha!:D
amei o texto.. muito bom!

caju disse...

Obrigado pela presença no meu blog, menina!

Adoro circo, mas faz tempo que não vou... Pena que ultimamente as pessoas já não o vêem mais com tanta magia e só costumam procura-lo quando é algo clássico como o Cirque Du Soleil. Acho até que com o tempo o circo será isso mesmo, apenas grandes espetáculo formados por um ou outro grupo.

Beijão!

Segunda a Sexta disse...

(batendo palmas em pé)

Não sobra muito espaço para comentários.

A vida de qualquer um pode ser um teatro e um circo. É só querer, e fazer ser.

Beijo!